terça-feira, 9 de junho de 2009

David Carradine 1936 - 2009


David Carradine 08/12/36 - 03/06/09

Faleceu em Bangkok - Tailândia, o ator David Carradine. O seu trabalho mais marcante no cinema nos últimos anos foi, sem dúvida, sua participação em Kill Bill, do diretor Quentin Tarantino. Entretanto, Carradine chegou ao Brasil através do seriado Kung Fu, nos anos 1970.

Nessa época predominavam os seriados e filmes de western e policiais em geral. Então foi através desse seriado que o público em geral tomou seu primeiro contato com a sabedoria oriental. Nos anos noventa surgiu uma "continuação" à série Kung Fu, "Kung Fu: A Lenda Renasce". Carradine viu-se envolvido no mundo dos Shaolins, mais uma vez. De fato, ele entrou de cabeça nas artes marciais, tendo experimentado a disciplina do kung fu. Carradine publicou - em 1991 - um livro a respeito da filosofia dessa arte: "The Spirit of Shaolin". Lançou, também, dois vídeos sobre exercícios do kung fu, ambos em 1991.




A série:

O papel de Carradine, Kwai Chang Caine, foi prometido a Bruce Lee. Entretanto, diz-se que que Lee era "muito oriental", o que poderia gerar resistência no público médio americano. Esse fato nunca foi realmente explicado. Ocorreu que Carradine desempenhou muito bem o papel. Seu olhar misterioso e melancólico caiu como uma luva para o monje fugitivo Caine. Talvez Bruce Lee não fosse mesmo o ator ideal, justamente por ser um lutador de verdade (e que lutador!). O olhar de Lee, que todos conhecemos, é de um tigre prestes a atacar. O olhar de Caine deveria ser diferente.

O seriado fez muito sucesso na época, e continua fazendo, pois volta e meia alguma TV o reprisa. Além disso, o seriado foi lançado em DVD. O sucesso foi tamanho que uma editora, a Livraria José Olympio Editora, publicou alguns livros da série.

Caine é um mestiço nascido na China, filho de pai americano e de mãe chinesa. O menino, por não ter aonde ir ou onde se estabelecer, acabou por bater aos portões do Templo Shaolin. Embora mestiço, foi aceito pelo grande mentor daquele templo, Mestre Kan (interpretado pelo falecido Philip Ahn), o qual ignorou a premissa Shaolin - de que apenas chineses legítimos são admitidos - por ter sentido algo "especial" pelo pobre garoto solitário. Alguns anos após completar seu aprendizado, já fora do templo, Caine reencontra por acaso o Mestre Pô, ocorre um incidente com a comitiva do arrogante sobrinho do Imperador. Este mata Mestre Pô com um tiro. Instintivamente Caine mata o sobrinho do Imperador e é obrigado a fugir para os Estados Unidos, onde dificilmente seria encontrado no meio de milhares de imigrantes e poderia procurar o seu meio irmão, único parente vivo.
Para quem assistia o seriado é impossível esquecer Caine caminhando sozinho pelas areias escaldantes, os flashbacks dos ensinamentos do Mestre Pô (que era cego, mas percebeu, no primeiro encontro entre eles o gafanhoto que estava aos pés de Caine e daí deu-lhe o famoso apelido de Gafanhoto), o rito de passagem final de caminhar sobre uma folha de papel de arroz sem deixar rastros e finalmente abraçar o caldeirão cheio de brasas que faz as tatuagens(dragão e tigre) nos seus antebraços e, claro, as lutas em câmera lenta, uma novidade para a época e uma forma de amenizar a violência (apesar da série ser totalmente pacifista).

O primeiro consultor da série foi David Chow, que não era um mestre Shaolin formado. Posteriormente, um mestre Shaolin assumiu o papel dele: Kam Yuen, um especialista no estilo “Praying Mantis” (Louva-Deus). A partir da entrada de Kam, as cenas de luta tornaram-se mais reais.

Em Kung Fu trabalharam atores "novatos" à época, tais como: Harrison Ford, Robert Duvall, Don Johnson, Gary Busey e até mesmo Jodie Foster (ainda criança ).


Um jovem Mestre Shaolin perambula por uma terra inóspita em busca de seu irmão, mas também de si próprio. Dentre os maiores perigos por ele enfrentados, não estão os pistoleiros e nem mesmo os caçadores de recompensa, mas aintemperança, o racismo e o preconceito Humanos. Aventure-se ao lado de Kwai Chang Caine, o Gafanhoto, nessa formidável busca ao Infinito que nos habita. (abertura)




Em tempo: O termo KUNG FU é aplicado as artes marciais chinesas há séculos e significa "trabalho duro".



Fontes:
Zero Hora
Imdb.com
RetrôTV

terça-feira, 2 de junho de 2009

Nossos mestres

"O lutador deve se comportar numa luta como a água - insubstancial, flexível. E, como a água, um combate não pode ter forma definida."
Bruce Lee

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Números em Japonês

O básico:
1 一 ichi
2 二 ni
3 三 san
4 四 shi ou yon (não costumamos dizer shi no Dojo, pois também significa morte)
5 五go
6 六 roku
7 七 shichi ou nana
8 八 hachi
9 九 kyuu ou ku
10 十 juu

terça-feira, 31 de março de 2009

DOGI - Presença no instante




Vestir o nosso DOGI (traje de treinamento) deve ser um verdadeiro ritual.
A faixa branca(OBI), por exemplo, simboliza a pureza mental e de intenções. Devemos colocar o OBI cuidadosamente na cintura, protegendo bem a zona inferior do ventre e as vértebras lombares. Devemos colocar o TENEGUI (bandana), quando for o caso, alinhado meticulosamente. Quizá fosse conveniente um banho purificador e um pequeno período de meditação. A meditação é sempre muito importante. Mesmo que por um minuto, no vestiário, devemos meditar, focalizar o aqui e agora. Vestir nosso DOGI é um ato de extrema importância. É quando assumimos um estado, é a representação visível de um vontade invisível. Não deve ser jamais um disfarce, ou uma fantasia, e muito menos ainda um ridículo mimetismo orientalista. O DOGI é antes de tudo um símbolo de um desejo e longe de supor um obstáculo, deve ser um veículo de progresso para nossa própria unidade do ser. Mas não esqueçamos o dito popular: o hábito não faz o monge. Revestir nosso corpo com o DOGI deve ser um primero ato de presença no instante, de aqui e agora. Tudo no mundo exterior deve disolver-se...
Como poríamos nosso DOGI se soubessemos que minutos mais tarde iríamos enfrentar a um adversário real?
Muitas poucas vezes a mente está onde está o corpo...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Mestres do cinema


Medo, Ira, Agressividade, O lado escuro eles são. Se algum dia regerem tua vida, para sempre teu destino dominarão - Mestre Yoda

quarta-feira, 25 de março de 2009

Duas bombas atômicas

Sr. Tsutomu Yamaguchi

Japonês sobreviveu às duas bombas atômicas

Folha de S.Paulo

Um japonês de 93 anos tornou-se ontem oficialmente o primeiro sobrevivente das duas bombas atômicas lançadas pelos EUA no final da Segunda Guerra Mundial.

Tsutomu Yamaguchi, que já havia sido certificado como "hibakusha" --sobrevivente de radiação- do ataque de 9 de agosto de 1945 em Nagasaki, foi confirmado também como sobrevivente do ataque em Hiroshima três dias antes.

Ele estava em Hiroshima numa viagem de negócios em 6 de agosto, quando um avião americano lançou a bomba atômica. Acometido de graves queimaduras no tronco, ele retornou para Nagasaki, onde morava, no dia seguinte.

"Pelo que sabemos, ele é o primeiro a ser oficialmente reconhecido como sobrevivente de duas bombas atômicas", disse Toshiro Miyamoto, funcionário municipal de Nagasaki.

O reconhecimento assegura benefícios do governo --pagamentos mensais, consultas médicas regulares e funeral gratuito. As compensações de Yamaguchi não terão reajuste.

Apesar disso, o sobrevivente externou satisfação. "Minha exposição dupla à radiação é agora um registro oficial, que pode ensinar às gerações jovens a terrível história dos bombardeios atômicos mesmo depois de eu morrer", disse Yamaguchi ao jornal "Mainichi".

O Japão é o único país alvo de ataques atômicos. Cerca de 140 mil morreram em Hiroshima e 70 mil em Nagasaki.

Yamaguchi, que não teve problemas de saúde revelados, é um dos cerca de 260 mil sobreviventes aos ataques -que apresentaram posteriormente doenças decorrentes da exposição à radiação, como câncer e problemas hepáticos.

Milhares de sobreviventes que tiveram os pedidos rejeitados pelo governo ainda buscam reconhecimento oficial. No ano passado, os requisitos para isso foram abrandados, em reação a críticas de que as regras eram muito rígidas e negligenciavam muitas pessoas que desenvolveram doenças relacionadas pelos médicos à radiação.


quinta-feira, 19 de março de 2009

Mestre e discípulo - Parte 3




Um célebre mestre de espada do Japão, recebeu a visita de outro especialista. Querendo ilustrar o ensinamento que havia dado aos seus três filhos, colocou um copo de metal em um ponto, sobre as portas corrediças que davam acesso a habitação, por meio de um pedaço de bambú, de tal forma que caisse sobre a cabeça daquele que ali entrasse. Enquanto consumiam alguma taças de chá, o Mestre chamou o seu primeiro filho; este sentindo a presença do objeto, correu ligeiramente a porta e passando lentamente a mão através dela, pegou o recipiente e o colocou delicadamente no chão, enquanto entrava na sala e saudava respeitosamente os seus ocupantes. Aqui está meu primogênito - disse o Mestre - aprendeu bem meus ensinamentos! Chegará a ser certamente, algum dia, um grande maestro da espada. O segundo filho inrrompeu com mais celeridade a habitação e sujeitou o copo justo quando estava a ponto de cair-lhe em cima. Este é meu segundo filho - continuou o Mestre - ainda tem muito por aprender, mas melhora a cada dia.
O terceiro entrou precipitadamente na sala, recebendo de pleno o copo na cabeça. De pronto, sacou rapidamente a espada da sua bainha e o cortou em duas partes, antes deste chegar a tocar o solo. Aqui está meu filho pequeno - disse o Mestre ancião com voz resignada. Ainda tem um longo caminho por percorrer!






















terça-feira, 17 de março de 2009

Mestre e discípulo - Parte 2





Quando o Mestre Awa Kanzo instruia o seu célebre discipulo Eugen Herrigel na Arte do Arco e Flecha, Kyudô, continuamente lhe repetia que seu tiro não era autêntico, apesar de estar perfeitamente executado. Deixe de pensar no disparo - exclamava o Mestre - assim tem que fracassar. Não posso evitar! - respondia Herriguel - a tensão (da corda do arco) se torna dolorosa. Apenas porque você não está realmente desprendido de si mesmo, por isto sente. E, no entanto, é tão simples! De uma simples folha de bambú pode aprender do que se trata. Sob o peso da neve ela se inclina mais e mais. De repente a carga desliza e cai, sem que a folha haja se movido. Igual que ela, permaneça na maior tensão até que o disparo caia. Assim é, em efeito: quando a tensão se haja cumprido, o tiro tem que cair, desprender-se do arqueiro como a neve da folha, ainda que antes do que ele tenha pensado.
Uma vez apenas, imediatamente depois de um tiro igual a muitos outros, que segundo Herriguel não havia sido excessivamente técnico, o Mestre Awa grito: Aí está! Inclíne-se! Quando inspecionou o alvo, Herriguel comprovou que somente havia roçado a borda. Entretanto, o tiro havia sido autêntico. "Ele" havia executado a ação sem o concurso da vontade. O discípulo perguntou então: E quem é "Ele"? Sensei Awa respondeu: Quando tiver compreendido isto, já não me necessitará. E se eu quizesse colocá-lo na pista, poupando-lhe a própria experiência, sería o pior de todos os mestres.




Deixar de pensar conscientemente, deixar o kata, a forma, o arco, a espada, o golpe, agirem "por conta própria", transformar a espada em uma extenção do corpo: grandes desafios que não se atingem sem grande determinação e paciência.





A arte cavalheiresca do arqueiro Zen, Eugen Herrigel, publicado no Brasil pela Editora Pensamento.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Mestre e Discípulo - parte 1


A tradição do BUDÔ afirma que o difícil não é encontrar um mestre, mas sim chegar a ser discípulo.




"Na antiguidade, quando um aspirante desejava ser admitido pelo mestre, depositava suas oferendas na porta do templo ou do dojo, e se sentava a esperar, paciente e silenciosamente até que este quizesse recebê-lo. Podiam se passar muitos dias e até semanas ou meses, antes que o mestre acreditasse na sinceridade do futuro discípulo e lhe permitisse penetrar no santuário interior. O candidato devia perseverar e sofrer sem mover-se, todos os rigores da natureza, a fome, o frio, a chuva, o sol implacável, o vento ou a neve. Alguns díscipulos do mestre podiam inclusive disfarçar-se para tentar disuadir-lhe ou lhe submetiam a certas penúrias, para comprovar sua sinceridade, sua humildade, sua paciência. Se lograva passar esta dura prova, o mestre saía por fim para buscá-lo e aceitá-lo, não apenas como dicípulo, mas como filho, irmão no caminho."
Traduzido e adaptado de RONIN, La Vía Del Guerrero Errante, Carmelo H Ríos