segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O exemplo japonês nas Olimpiadas de Pequim



Foto: Luca Bruno, AP

Nesta quinta-feira vi, pela primeira vez, a torcida chinesa vaiar uma equipe de outro país. As meninas do futebol da Alemanha e do Japão decidiam a medalha de bronze. A torcida foi maciça para as alemãs, claro – a velha rivalidade de séculos... Chineses e japoneses é pior do que gremistas e colorados, se você não sabe.
Durante o primeiro tempo do jogo, os chineses contentaram-se em incentivar os alemães com o seu tradicional jia you, mas no segundo tempo se soltaram: apuparam as japonesas (foto) com vontade cada vez que elas iam ao ataque. As alemãs venceram por 2 a 0, para gáudio da torcida, que festejou como se fosse uma vitória da China.
Tudo bem, tudo normal, até que, terminada a partida, ocorreu algo inesperado. Enquanto as alemãs festejavam, o técnico das japonesas as reuniu no grande círculo. Formaram uma rodinha e conversaram por alguns minutos. De lá, saíram para as bordas do campo. Pararam na linha lateral, em frente à torcida, e fizeram uma reverência. Os torcedores, talvez perplexos, aplaudiram. As japonesas então caminharam lentamente para o outro lado do campo, postaram-se de novo uma ao lado da outra e curvaram-se para a torcida. Fizeram isso em todos os lados do gramado, seis vezes, e seis vezes foram aplaudidas.

De alguma forma, uma vitória do Japão.



*Texto de DAVID COIMBRA publicado no caderno Pequim 2008 de Zero Hora.