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terça-feira, 4 de agosto de 2009

A parabola do faixa preta




Imagine um lutador de artes marciais ajoelhado na frente do mestre numa cerimônia para receber a faixa preta obtida com muito suor.
Depois de anos de treinamento incansável, o aluno finalmente chegou ao auge do êxito na disciplina.
“Antes que lhe dê a faixa, você tem que passar por um outro teste”, diz o Mestre.
Estou pronto” responde o aluno, talvez esperando pelo último assalto da luta.
“Você tem que responder à pergunta essencial: Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?”.
“O fim da minha jornada”, responde o aluno. “Uma recompensa merecida por meu bom trabalho”.
O Mestre espera mais. É obvio que ainda não esta satisfeito. Por fim, o Mestre fala. “Você ainda não esta pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano”.
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do Mestre. “Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?”. Pergunta o Mestre.
“Ela é o símbolo da excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte”, responde o aluno.
O Mestre não diz nada durante vários minutos, esperando. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim, ele fala. “Você ainda não esta pronto para a faixa preta. Volte daqui um ano”.
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do Mestre. E mais uma vez o Mestre pergunta: “Qual é o verdadeiro significado da faixa preta”.
“A faixa preta representa o começo – o início de uma jornada sem fim de disciplina, trabalho e a busca por um padrão cada vez mais alto”, responde o aluno.
“Sim. Agora você esta pronto para receber a faixa preta e iniciar o seu trabalho”.
Extraído do livro Feitas para Durar – Práticas bem-sucedidas de empresas visionárias – James Collins – Ed. Rocco)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Mestre e discípulo - Parte 3




Um célebre mestre de espada do Japão, recebeu a visita de outro especialista. Querendo ilustrar o ensinamento que havia dado aos seus três filhos, colocou um copo de metal em um ponto, sobre as portas corrediças que davam acesso a habitação, por meio de um pedaço de bambú, de tal forma que caisse sobre a cabeça daquele que ali entrasse. Enquanto consumiam alguma taças de chá, o Mestre chamou o seu primeiro filho; este sentindo a presença do objeto, correu ligeiramente a porta e passando lentamente a mão através dela, pegou o recipiente e o colocou delicadamente no chão, enquanto entrava na sala e saudava respeitosamente os seus ocupantes. Aqui está meu primogênito - disse o Mestre - aprendeu bem meus ensinamentos! Chegará a ser certamente, algum dia, um grande maestro da espada. O segundo filho inrrompeu com mais celeridade a habitação e sujeitou o copo justo quando estava a ponto de cair-lhe em cima. Este é meu segundo filho - continuou o Mestre - ainda tem muito por aprender, mas melhora a cada dia.
O terceiro entrou precipitadamente na sala, recebendo de pleno o copo na cabeça. De pronto, sacou rapidamente a espada da sua bainha e o cortou em duas partes, antes deste chegar a tocar o solo. Aqui está meu filho pequeno - disse o Mestre ancião com voz resignada. Ainda tem um longo caminho por percorrer!






















terça-feira, 17 de março de 2009

Mestre e discípulo - Parte 2





Quando o Mestre Awa Kanzo instruia o seu célebre discipulo Eugen Herrigel na Arte do Arco e Flecha, Kyudô, continuamente lhe repetia que seu tiro não era autêntico, apesar de estar perfeitamente executado. Deixe de pensar no disparo - exclamava o Mestre - assim tem que fracassar. Não posso evitar! - respondia Herriguel - a tensão (da corda do arco) se torna dolorosa. Apenas porque você não está realmente desprendido de si mesmo, por isto sente. E, no entanto, é tão simples! De uma simples folha de bambú pode aprender do que se trata. Sob o peso da neve ela se inclina mais e mais. De repente a carga desliza e cai, sem que a folha haja se movido. Igual que ela, permaneça na maior tensão até que o disparo caia. Assim é, em efeito: quando a tensão se haja cumprido, o tiro tem que cair, desprender-se do arqueiro como a neve da folha, ainda que antes do que ele tenha pensado.
Uma vez apenas, imediatamente depois de um tiro igual a muitos outros, que segundo Herriguel não havia sido excessivamente técnico, o Mestre Awa grito: Aí está! Inclíne-se! Quando inspecionou o alvo, Herriguel comprovou que somente havia roçado a borda. Entretanto, o tiro havia sido autêntico. "Ele" havia executado a ação sem o concurso da vontade. O discípulo perguntou então: E quem é "Ele"? Sensei Awa respondeu: Quando tiver compreendido isto, já não me necessitará. E se eu quizesse colocá-lo na pista, poupando-lhe a própria experiência, sería o pior de todos os mestres.




Deixar de pensar conscientemente, deixar o kata, a forma, o arco, a espada, o golpe, agirem "por conta própria", transformar a espada em uma extenção do corpo: grandes desafios que não se atingem sem grande determinação e paciência.





A arte cavalheiresca do arqueiro Zen, Eugen Herrigel, publicado no Brasil pela Editora Pensamento.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Mestre e Discípulo - parte 1


A tradição do BUDÔ afirma que o difícil não é encontrar um mestre, mas sim chegar a ser discípulo.




"Na antiguidade, quando um aspirante desejava ser admitido pelo mestre, depositava suas oferendas na porta do templo ou do dojo, e se sentava a esperar, paciente e silenciosamente até que este quizesse recebê-lo. Podiam se passar muitos dias e até semanas ou meses, antes que o mestre acreditasse na sinceridade do futuro discípulo e lhe permitisse penetrar no santuário interior. O candidato devia perseverar e sofrer sem mover-se, todos os rigores da natureza, a fome, o frio, a chuva, o sol implacável, o vento ou a neve. Alguns díscipulos do mestre podiam inclusive disfarçar-se para tentar disuadir-lhe ou lhe submetiam a certas penúrias, para comprovar sua sinceridade, sua humildade, sua paciência. Se lograva passar esta dura prova, o mestre saía por fim para buscá-lo e aceitá-lo, não apenas como dicípulo, mas como filho, irmão no caminho."
Traduzido e adaptado de RONIN, La Vía Del Guerrero Errante, Carmelo H Ríos