sexta-feira, 9 de março de 2012

Tsunami no Japão, um ano depois.

No próximo domingo, dia 11 de março, completará um ano do terremoto de 8,9 pontos na escala Richter e o consequente tsunami que atingiu nordeste do Japão.
Todos nós que amamos e admiramos o Japão ficamos muito consternados com os acontecimentos. A preocupação com os vazamentos na usina nuclear de Fukushima também foi grande.
Até hoje os japoneses estão se recuperando, procurando seus mortos, criando planos para evitar novas tragédias, enfim, estão tratando de curar suas feridas.

A catástrofe será lembrada no Japão com diversas cerimônias e homenagens e um minuto de silêncio às 14h46 locais (2h46 de Brasília), momento em que em 11 de março de 2011 aconteceu o terremoto.


Anexei a este post diversas fotos dos momentos logo após o tsunami e dos mesmos locais após a reconstrução, como forma de homenagear as vítimas e demonstrar o espírito de luta e determinação do povo japonês.


Leia abaixo um trecho do impressionante depoimento do jornalista da Globo, corresponde no Japão, Roberto Kovalick, sobre a tragédia, onde o jornalista demonstra sua admiração pela organização do povo e, principalmente, a preocupação dos japoneses com o bem estar coletivo.

"Houve três momentos que me deixaram impressionado. O primeiro, na estação de trem de Kyoto, quando eu, a equipe da afiliada da Globo no Japão e centenas de japoneses estávamos assistindo na TV às imagens do tsunami chegando ao país, o que, mostrou como somos pequenos e frágeis.


Depois, a explosão da usina atômica, pois eu e minha equipe temos parentes no Japão e temíamos pela nossa segurança e pela segurança deles.


E, por fim, a resposta dos japoneses, a organização, o respeito pelo próximos mesmo nas condições mais adversas, o sacrifício pessoal em nome do bem estar geral."













Fotos: http://www.buzzfeed.com/prairiehunter/japan-11-months-after-the-earthquake-and-tsunami-26gq

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sanjusangendo - Kyoto




Sanjusangendo é como se conhece popularmente o templo Rengeo-in, famoso por abrigar 1001 estátuas de Kannon, a Deusa da Piedade. Foi fundado em 1164 e sua estrutura atual data de 1266.



Este não é um templo muito divulgado pelos guias de viagem ou agências. Até mesmo na internet é difícil encontrar informações. Acredito que como não é permitido fotografar dentro do prédio, os viajantes acabem não falando muito dele ou mesmo não se interessando. Eu mesmo não tinha um grande interesse. Entretanto, conhecer pessoalmente o templo foi uma das experiências mais fascinantes no Japão.


Já olhando de fora o Templo impressiona pois tem 120 metros de comprimento! O nome vem dos 33 intervalos entre os pilares. Tudo de madeira, claro. Este número não foi escolhido sem uma razão. Trinta e três, são as formas que a Deusa Kannon pode assumir em suas missões de misericórdia.
Ao entrarmos no saguão principal, propriamente dito, nos damos com essa imagem acima. Totalmente impressionante. São 500 estátuas do tamanho de uma pessoa de cada lado de uma gigantesca estátua de 6 metros de altura. Além destas, mais 28 estátuas de deidades guardiãs, devidamente armadas.
O movimento de turistas e escolas é impressionante. Os estudantes passam, olham, fazem algumas anotações e apressadamente seguem em frente. Muito curioso imaginar que a gente atravessou o planeta para visitar o Templo e os alunos estavam ali numa visita obrigatória da escola.







Seguindo o caminho dentro do Templo, encontramos pinturas, utensílios e principalmente (para mim) arcos e outros artefatos samurai originais que remetem as antigas competições de Kyudô (tiro com arco) que ainda são realizadas anualmente na área externa.

Os torneios ocorrem desde 1165! A história estava ali viva ainda. Eu caminhei no entorno do Templo imaginando todos os samurai, daymio e até, provavelmente, alguns Shogun, que já tinham pisado ali naquele espaço. Quantos tinham demonstrado seu valor? Quantos espíritos guerreiros vagavam pelos jardins. Quantos tinham lamentado a derrota para voltar na próxima competição mais fortes para vencer? Quantos venceram, se vangloriaram estupidamente e foram derrotados em seguida?
Sem dúvida é um lugar muito especial, com uma energia poderosa. A gente respira a história samurai em cada pedacinho desse lugar.
Leiam abaixo sobre os torneios e imaginem a determinação, o preparo e a técnica que alguém tem que ter para disparar mas de treze mil flechas! Claro, um feito totalmente extraordinário realizado por um verdadeiro samurai. Se pudermos nos inspirar neles e trazer para nossa realidade uma fração do que eles foram e realizaram, tenho fé que muito realizaremos.

"Esses torneios duravam até um dia inteiro e cada arqueiro podia atirar centenas de flechas. Havia diferentes categorias, como a competição de doze horas, a de vinte e quatro horas, a de cem flechas e outra de mil flechas. Além disso, mulheres também podiam participar (a partir da Era Tokugawa). Em 1606, o recorde era de 51 flechas acertadas, mas, entre 1661-88, esse número chegou a recordes inimagináveis com os casos de Shigenori Kanzaemon Hoshino e de Daihachirō Wasa.

Em 1669, Shigenori Kanzaemon Hoshino alcançou a incrível marca de oito mil acertos das 10.542 flechas que atirou. Cerca de duas décadas depois, em 1686, Daihachirō Wasa conseguiu um feito ainda mais impressionante, estabelecendo o recorde de 13.053 tiros com 8.133 acertos (uma média de 62% de acertos e um tiro a cada 6,6 segundos). O torneio de Sanjūsangendō ainda acontece, mas agora suas categorias são diferentes e as provas duram menos tempo."






Fontes:
Aquivo pessoal
Material informativo do Templo
http://www.kyudo.com.br/about-kyudo/a-historia-kyudo/
http://www.japan-talk.com/jt/new/sanjusangendo-temple-kyoto
http://www.japaoinfotur.org/index.asp