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terça-feira, 24 de abril de 2012

DIA DO SAMURAI



Nas cidades de São Paulo, Ribeirão Preto, Brasília, Piracicaba, Campinas e Guarulhos e nos estados do Paraná e do Amazonas, hoje, dia 24 de abril é comemorado o DIA DO SAMURAI.
Santa Catarina também já tem projeto de lei tramitando pra incluir essa data no seu calendário oficial. No Rio Grande do Sul não temos informações  quanto a iniciativas semelhantes.

Parabéns a todos que se identificam e admiram a cultura SAMURAI, e buscam nela fonte de conhecimentos e valores.





sexta-feira, 2 de março de 2012

Sanjusangendo - Kyoto




Sanjusangendo é como se conhece popularmente o templo Rengeo-in, famoso por abrigar 1001 estátuas de Kannon, a Deusa da Piedade. Foi fundado em 1164 e sua estrutura atual data de 1266.



Este não é um templo muito divulgado pelos guias de viagem ou agências. Até mesmo na internet é difícil encontrar informações. Acredito que como não é permitido fotografar dentro do prédio, os viajantes acabem não falando muito dele ou mesmo não se interessando. Eu mesmo não tinha um grande interesse. Entretanto, conhecer pessoalmente o templo foi uma das experiências mais fascinantes no Japão.


Já olhando de fora o Templo impressiona pois tem 120 metros de comprimento! O nome vem dos 33 intervalos entre os pilares. Tudo de madeira, claro. Este número não foi escolhido sem uma razão. Trinta e três, são as formas que a Deusa Kannon pode assumir em suas missões de misericórdia.
Ao entrarmos no saguão principal, propriamente dito, nos damos com essa imagem acima. Totalmente impressionante. São 500 estátuas do tamanho de uma pessoa de cada lado de uma gigantesca estátua de 6 metros de altura. Além destas, mais 28 estátuas de deidades guardiãs, devidamente armadas.
O movimento de turistas e escolas é impressionante. Os estudantes passam, olham, fazem algumas anotações e apressadamente seguem em frente. Muito curioso imaginar que a gente atravessou o planeta para visitar o Templo e os alunos estavam ali numa visita obrigatória da escola.







Seguindo o caminho dentro do Templo, encontramos pinturas, utensílios e principalmente (para mim) arcos e outros artefatos samurai originais que remetem as antigas competições de Kyudô (tiro com arco) que ainda são realizadas anualmente na área externa.

Os torneios ocorrem desde 1165! A história estava ali viva ainda. Eu caminhei no entorno do Templo imaginando todos os samurai, daymio e até, provavelmente, alguns Shogun, que já tinham pisado ali naquele espaço. Quantos tinham demonstrado seu valor? Quantos espíritos guerreiros vagavam pelos jardins. Quantos tinham lamentado a derrota para voltar na próxima competição mais fortes para vencer? Quantos venceram, se vangloriaram estupidamente e foram derrotados em seguida?
Sem dúvida é um lugar muito especial, com uma energia poderosa. A gente respira a história samurai em cada pedacinho desse lugar.
Leiam abaixo sobre os torneios e imaginem a determinação, o preparo e a técnica que alguém tem que ter para disparar mas de treze mil flechas! Claro, um feito totalmente extraordinário realizado por um verdadeiro samurai. Se pudermos nos inspirar neles e trazer para nossa realidade uma fração do que eles foram e realizaram, tenho fé que muito realizaremos.

"Esses torneios duravam até um dia inteiro e cada arqueiro podia atirar centenas de flechas. Havia diferentes categorias, como a competição de doze horas, a de vinte e quatro horas, a de cem flechas e outra de mil flechas. Além disso, mulheres também podiam participar (a partir da Era Tokugawa). Em 1606, o recorde era de 51 flechas acertadas, mas, entre 1661-88, esse número chegou a recordes inimagináveis com os casos de Shigenori Kanzaemon Hoshino e de Daihachirō Wasa.

Em 1669, Shigenori Kanzaemon Hoshino alcançou a incrível marca de oito mil acertos das 10.542 flechas que atirou. Cerca de duas décadas depois, em 1686, Daihachirō Wasa conseguiu um feito ainda mais impressionante, estabelecendo o recorde de 13.053 tiros com 8.133 acertos (uma média de 62% de acertos e um tiro a cada 6,6 segundos). O torneio de Sanjūsangendō ainda acontece, mas agora suas categorias são diferentes e as provas duram menos tempo."






Fontes:
Aquivo pessoal
Material informativo do Templo
http://www.kyudo.com.br/about-kyudo/a-historia-kyudo/
http://www.japan-talk.com/jt/new/sanjusangendo-temple-kyoto
http://www.japaoinfotur.org/index.asp

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Caminho do Cavaleiro

A energia espiritual do Caminho utiliza a justiça e a paciência para preparar teu espírito.





Este é o caminho do cavaleiro. um caminho fácil e ao mesmo tempo difícil, porque obriga a deixar de lado as coisas inúteis, as amizades relativas. Por isso, no começo, sente-se tanta hesitação em seguí-lo.

Eis o primeiro ensinamento da Cavalaria: tu irás apagar o que até então tinhas escrito no caderno de tua vida: inquietação, insegurança, mentira. E iras escrever, no lugar de tudo isso, a palavra coragem. Começando a jornada com essa palavra, e seguindo a fé em Deus, chegarás onde precisas.

Extraído de: O Breviário da Cavalaria Medieval

terça-feira, 31 de março de 2009

DOGI - Presença no instante




Vestir o nosso DOGI (traje de treinamento) deve ser um verdadeiro ritual.
A faixa branca(OBI), por exemplo, simboliza a pureza mental e de intenções. Devemos colocar o OBI cuidadosamente na cintura, protegendo bem a zona inferior do ventre e as vértebras lombares. Devemos colocar o TENEGUI (bandana), quando for o caso, alinhado meticulosamente. Quizá fosse conveniente um banho purificador e um pequeno período de meditação. A meditação é sempre muito importante. Mesmo que por um minuto, no vestiário, devemos meditar, focalizar o aqui e agora. Vestir nosso DOGI é um ato de extrema importância. É quando assumimos um estado, é a representação visível de um vontade invisível. Não deve ser jamais um disfarce, ou uma fantasia, e muito menos ainda um ridículo mimetismo orientalista. O DOGI é antes de tudo um símbolo de um desejo e longe de supor um obstáculo, deve ser um veículo de progresso para nossa própria unidade do ser. Mas não esqueçamos o dito popular: o hábito não faz o monge. Revestir nosso corpo com o DOGI deve ser um primero ato de presença no instante, de aqui e agora. Tudo no mundo exterior deve disolver-se...
Como poríamos nosso DOGI se soubessemos que minutos mais tarde iríamos enfrentar a um adversário real?
Muitas poucas vezes a mente está onde está o corpo...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

HAGAKURE


Em 2004 quando entrei na livraria Cultura, mal pude acreditar. Lá estava um livro sobre samurai! Antigamente as publicações em português sobre artes marciais restringiam-se quase que exclusivamente aos manuais de kung-fu e ninjitsu da Ediouro. Nos últimos anos, finalmente, os editores brasileiros despertaram e estão começando a publicar algumas obras sobre a cultura samurai especificamente. Comentarei sobre outros livros em futuros posts.
O Hagakure começou a ser escrito em 1710(um período de paz sob o Xogunato Tokugawa), e levou sete anos para ficar pronto. Na verdade, o Hagakure é composto de mais de 13 mil trechos! O livro publicado pela editora Conrad é uma compilação organizada pelo estudioso americano Wiliam Scott Wilson.
O livro é muito interessante como registro histórico daquele momento. Mas devemos lembrar que o autor, apesar de ser samurai, nunca participou de uma guerra. Devemos lembrar também que ele vivia na idade média. Se não, vejamos esse trecho:
"Além disso, beber um cozido de fezes de um cavalo malhado é a melhor maneira de estancar o sangramento causado por um ferimentos ao cair do cavalo." (Desconfio que Tsunetomo nunca caiu de um cavalo.) Isso não tira o valor do livro. Só situa-o em seu momento histórico.
Existem muitos trechos preciosos, tais como:
"Dizem que uma pessoa não deve hesitar nem por um instante em se corrigir quando comete um erro. Ao fazer isso, seus erros desaparecerão rapidamente. Mas, se tentar ocultá-lo, o erro se tornará ainda mais indigno e doloroso."
Ou:
"Se a espada de um guerreiro quebrar, ele atacará com suas próprias mãos."
E pequenas histórias muito significativas:
"Certa vez, Hojo Awa no kami reuniu seus discípulos de artes marciais e chamou um fisionomista, que na época era famoso em Edo(atual Tóquio), para determinar se eles eram valentes ou covardes. Ele o fez examinar cada homem dizendo:
- Se ele disse "bravura", você tem que se esforçar ainda mais. Se for "covardia", você deve se matar. É algo que nasceu com você, então não há vergonha nisso.
Hirose Denzaemon tinha na época 12 ou 13 anos. Quando se sentou na frente do fisionomista, ele disse com um tom de voz ameaçador:
- Se disser que eu sou covarde, matarei você com um só golpe!"
O Bushido é um código de honra não escrito, muito superficialmente discutido, muito mitificado e muito distante da nossa realidade. Por isso ler e tentar entender o Hagakure é uma forma que nós "ocidentais modernos" temos para compreender melhor essa cultura que tanto admiramos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Credo do Samurai

Eu não tenho pais,
Faço do céu e da terra meus pais.

Eu não tenho poder divino,
Faço da honestidade a minha força.

Eu não tenho condutas,
Faço da humildade minha maneira de relacionamento.

Eu não tenho dotes mágicos,
Faço da minha força de espírito meu poder mágico.

Eu não tenho nem vida nem morte,
Faço da eternidade minha vida e minha morte.

Eu não tenho corpo,
Faço da coragem o meu corpo.

Eu não tenho olhos,
Faço do relâmpago meus olhos.

Eu não tenho ouvidos,
Faço do bon senso meus ouvidos.

Eu não tenho membros,
Faço da vivacidade meus membros.

Eu não tenho projetos,
Faço da oportunidade meus planos.

Eu não sou um prodígio,
Faço do respeito a verdadeira doutrina o meu milagre.

Eu não tenho dogmas rígidos,
Faço da adaptabilidade a todas as coisas o meu princípio.

Eu não tenho amigos,
Faço do espírito meu amigo.

Eu não tenho inimigos,
Faço da distração meu inimigo.

Eu não tenho armadura,
Faço da minha sinceridade e retidão a minha armadura.

Eu não tenho castelo fortificado para me defender,
Faço da minha sabedoria de espírito o meu castelo.

Eu não tenho espada,
Faço da minha calma e silêncio espiritual minha espada.

Samurai - aquele que serve


O SAMURAI DA ERA TOKUGAWA
Ele está em seu lar. Ele veste o kamishimo, que é o shitatare sem mangas. O estilo do cabelo, o uso do bigode, como demonstrado, também são característicos. A tela com flechas, o stand para arcos, a arma e a enorme aljava (porta flechas), todos pertencem aquele período.





A tradução literal da palavra samurai é: aquele que serve. Esse termo só começou a ser utilizado com cunho militar no século X. Antes qualquer serviçal do castelo era chamado de samurai. Mais tarde se tornou um título, como o de cavaleiro na Europa, por exemplo. Assim o título era passado hereditariamente, ou concedido pelos Daimyo(senhores feudais) ou pelo próprio Xogum.