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terça-feira, 22 de junho de 2010

BUSHIDO








"No caminho do guerreiro(BUSHIDO) é essencial fazer tudo corretamente, desde o mais pequeno ao mais importante, desde a raiz até os ramos. Pois se não se entendem a raiz e os ramos não haverá maneira de compreender seu dever. Quem não sabe qual é ser dever dificilmente pode considerar-se um guerreiro."




Taira Shigesuke em Bushido Shoshinshu











quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O Caminho do Cavaleiro

A energia espiritual do Caminho utiliza a justiça e a paciência para preparar teu espírito.





Este é o caminho do cavaleiro. um caminho fácil e ao mesmo tempo difícil, porque obriga a deixar de lado as coisas inúteis, as amizades relativas. Por isso, no começo, sente-se tanta hesitação em seguí-lo.

Eis o primeiro ensinamento da Cavalaria: tu irás apagar o que até então tinhas escrito no caderno de tua vida: inquietação, insegurança, mentira. E iras escrever, no lugar de tudo isso, a palavra coragem. Começando a jornada com essa palavra, e seguindo a fé em Deus, chegarás onde precisas.

Extraído de: O Breviário da Cavalaria Medieval

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Os Yamabushi



As grandes ordens monásticas que viviam no alto das montanhas, com suas divisões de "guerreiros da montanha" conhecidos como yamahoshi (posteriormente YAMABUSHI), figuram entre os grandes protagonistas da história do Japão desde o século X até os séculos XVI e XVII. Essas ordens parecem ter evoluído originalmente a partir de grupos ermitões e outros "homens santos" que empreenderam o caminho da solidão no "deserto", tentavam adquirir poderes sobrenaturais. Sua busca (shu) por esses poderes (ken) compensou-se gradualmente em diversas metodologias (do) que chegaram a ser conhecidas como o "caminho dos poderes sobrenaturais" (SHUGENDO).







Este shugendo, segundo muitos pesquisadores não tem um fundador. Nos templos mais importantes das montanhas, desde os localizados em território Kimbusem aos de Kumano, desde Omine até Yoshino, foram erguidos alojamentos (seishin-ya) para os yamabushi. O Shugendo começou a aparecer junto com as doutrinas exotéricas (kenshi) e exotéricas (misshu) explicações (nosetsu), eloquência (seimei) poesia (waka) e, um fator muito importante em nosso estudo, a prática militar (buyu). Estes sacerdotes e monges militares em geral tinham sido extremamente hábeis no uso das armas de métodos tradicionais de combate. Os arco-e-flechas, as espadas e - sobretudo - as lanças eram para eles armas familiares. O naginata, por exemplo, dizem que foi na realidade inventado por eles e adotado posteriormente pelos bushi que haviam experimentado a mortífera eficácea desta arma, quando foi usada contra eles. Ao longo dos tempos esses monges e sacerdotes seguiram ainda participando ativamente no desenvolvimento do bujutsu(arte militar, ou arte da guerra), sendo considerados especialistas em sua teoria, particularmente no que se refere àqueles fatores interiores baseados no controle mental e no poder coordenado.

Deste modo, proporcionaram as especializações tradicionais do bujutsu como praticamente da única teoria que seus praticantes sempre tiveram. Os próprios buchi reconheciam essa dependência teória com respeito a seus mestres religiosos, a consagração em grande número nos templos ou residências de abades ou monges humildes, que haviam se tornado famosos como mestres de técnicas e disciplinas que fortaleciam à personalidade e desenvolviam o caráter do homem, permitindo que ele encarasse, sem hesitar, a hostil e perigosa realidade do confronto. O nome desses mestres religiosos são ainda adorados na arte marcial do Japão; uma idéia do tamanho e profundidade de sua contribuiçõa aos métodos de combate dos bushi e, em geral, a arte de combate japonesa pode-se estimar mediante ao estudo desses mestres e o modo em que influenciaram na evolução de artes tais como o kenjutsu, o jujutsu e o aikijutsu, aplicando a essas disciplinas os princípios intuitivos do Budismo, e especialmente os da seita Zen.



Alguns Yamabushi que tiveram muito destaque na história do Japão:

- Abade Shoshin 1294-1336 (estrategista)

- Sessai choro ( tutor do shogun Tokugawa Ieyasu)

- Takeda harunobu shingen (Daimyo e grande extrategista) (ilustração abaixo)




Vestimenta Yamabushi exposta no Museu de Tóquio

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

HAGAKURE


Em 2004 quando entrei na livraria Cultura, mal pude acreditar. Lá estava um livro sobre samurai! Antigamente as publicações em português sobre artes marciais restringiam-se quase que exclusivamente aos manuais de kung-fu e ninjitsu da Ediouro. Nos últimos anos, finalmente, os editores brasileiros despertaram e estão começando a publicar algumas obras sobre a cultura samurai especificamente. Comentarei sobre outros livros em futuros posts.
O Hagakure começou a ser escrito em 1710(um período de paz sob o Xogunato Tokugawa), e levou sete anos para ficar pronto. Na verdade, o Hagakure é composto de mais de 13 mil trechos! O livro publicado pela editora Conrad é uma compilação organizada pelo estudioso americano Wiliam Scott Wilson.
O livro é muito interessante como registro histórico daquele momento. Mas devemos lembrar que o autor, apesar de ser samurai, nunca participou de uma guerra. Devemos lembrar também que ele vivia na idade média. Se não, vejamos esse trecho:
"Além disso, beber um cozido de fezes de um cavalo malhado é a melhor maneira de estancar o sangramento causado por um ferimentos ao cair do cavalo." (Desconfio que Tsunetomo nunca caiu de um cavalo.) Isso não tira o valor do livro. Só situa-o em seu momento histórico.
Existem muitos trechos preciosos, tais como:
"Dizem que uma pessoa não deve hesitar nem por um instante em se corrigir quando comete um erro. Ao fazer isso, seus erros desaparecerão rapidamente. Mas, se tentar ocultá-lo, o erro se tornará ainda mais indigno e doloroso."
Ou:
"Se a espada de um guerreiro quebrar, ele atacará com suas próprias mãos."
E pequenas histórias muito significativas:
"Certa vez, Hojo Awa no kami reuniu seus discípulos de artes marciais e chamou um fisionomista, que na época era famoso em Edo(atual Tóquio), para determinar se eles eram valentes ou covardes. Ele o fez examinar cada homem dizendo:
- Se ele disse "bravura", você tem que se esforçar ainda mais. Se for "covardia", você deve se matar. É algo que nasceu com você, então não há vergonha nisso.
Hirose Denzaemon tinha na época 12 ou 13 anos. Quando se sentou na frente do fisionomista, ele disse com um tom de voz ameaçador:
- Se disser que eu sou covarde, matarei você com um só golpe!"
O Bushido é um código de honra não escrito, muito superficialmente discutido, muito mitificado e muito distante da nossa realidade. Por isso ler e tentar entender o Hagakure é uma forma que nós "ocidentais modernos" temos para compreender melhor essa cultura que tanto admiramos.